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Friday, June 27, 2008

Learning Tattoo - Capítulo 10, A Esterilização

Capítulo 10


A Esterilização

O processo da tatuagem cria uma ferida superficial , cada vez que a tinta é injetada na pele, pela agulha. Qualquer ferida tem potencial para infecções, portanto é muito importante a esterilização dos equipamentos. Para tatuar, os tatuadores esterilizam alguns materiais descartáveis e reutilizáveis, como as biqueiras. A esterilização combinado com o uso de luvas, óculos de proteção e jaleco (EPI) garentem a segurança do tatuador e de seus clientes.

É de responsábilidade do estúdio eliminar as possibilidades de contaminações, inclusive das tintas, porta-batoques, batoques, biqueiras, agulhas, hastes e maca. Muitos produtos são vendidos devidamente embalados, estes produtos, assim como os embalados e esterelizados pelo tatuador, devem ser abertos e descartados na presença do cliente.

Equipamentos reutilizáveis, como biqueiras e hastes, são esterilizadas antes de todo o processo. O equipamento para esterilização recomendado é a autoclave, equipamento frequentemente utilizado em hospitais, que esteriliza através da pressão. Geralmente as autoclaves têm um ciclo de 55 minutos a partir de um começo a frio. Este processo elimina os organismos presentes no interior do equipamento.

Uma autoclaves é baseada em pressão, temperatura e tempo, confira abaixo duas combinações:

30 minutos, 10 libras, a temperatura de 250° F (121° C)
15 minutos, 15 libras, a temperatura de 270° F (132° C)


Antes da esterilização, o tatuador deve limpar cada material e inserí-los em uma bolsa adequada. Uma fita indicadora presente na bolsa, mudará sua cor assim que os materiais estiverem esterilizados.

Antes de usar as luvas, o tatuador deve lavar devidamente as mãos e verificar a existência de cortes e/ou abrasões.

Lembre-se de:

- Desinfetar a bancada de trabalho com glutaron, formol e cândida.
- Todos os objetos não esterilizáveis, como borrifadores, máquinas, clip-cord, devem ser embalados com pásticos devidamente limpos, evitando a contaminação secundária.
- Abra e remova todo material esterilizado na frente de seu cliente.
- Explique as fases de esterilização a seu cliente.

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Thursday, June 19, 2008

Ratinho Tattoo - VÍDEOS

Acompanhe o tatuador Ratinho Tattoo criando um dragão medieval nas costas de um cliente. O primeiro e o segundo vídeo apresentam a criação da tatuagem e o terceiro vídeo apresenta a tatuagem pronta.






Sunday, June 15, 2008

Learning Tattoo - Capítulo 9, Raspagem dos pêlos

Capítulo 9


Raspagem dos pêlos

Antes do procedimento da tatuagem é nescessário retirar os pêlos da região a ser tatuada. Confira abaixo 8 informações importantes aplicadas à raspagem dos pêlos:

1- Lave a região a ser tatuada. Pode ser usado um sabonete de glicerina ou espuma de limpeza.

2- Utilize Sabão Protex para raspar a área em que vai dispensar os pêlos.

3- Importante: O sentido de raspagem é na direção do pêlo, nunca em sentido contrário. Isto evita que os pêlos encravem e que surjam inflamações na tatuagem.

4- Raspe com cuidado e suavidade, evitando assim, cortes na região a ser tatuada.

5- Após raspar os pêlos, lave bem a região.

6- Seque a região raspada com papel toalha descartável.

7- Utillize apenas barbeadores descartáveis.

8- Abra e descarte o barbeador na frente de seu cliente em lixo específico.

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Thursday, May 29, 2008

Learning Tattoo - Capítulo 8, Estrutura da Pele

Capítulo 8

1 – Epiderme

A epiderme é um epitélio multiestratificado, formado por várias camadas (estratos) de células achatadas (epitélio pavimentoso) justapostas. A camada de células mais interna, denominada epitélio germinativo, é constituída por células que se multiplicam continuamente; dessa maneira, as novas células geradas empurram as mais velhas para cima, em direção à superfície do corpo. À medida que envelhecem, as células epidérmicas tornam-se achatadas, e passam a fabricar e a acumular dentro de si uma proteína resistente e impermeável, a queratina. As células mais superficiais, ao se tornarem repletas de queratina, morrem e passam a constituir um revestimento resistente ao atrito e altamente impermeável à água, denominado camada queratinizada ou córnea.

Toda a superfície cutânea está provida de terminações nervosas capazes de captar estímulos térmicos, mecânicos ou dolorosos. Essas terminações nervosas ou receptores cutâneos são especializados na recepção de estímulos específicos. Não obstante, alguns podem captar estímulos de natureza distinta. Porém na epiderme não existem vasos sangüíneos. Os nutrientes e oxigênio chegam à epiderme por difusão a partir de vasos sangüíneos da derme.

Nas regiões da pele providas de pêlo, existem terminações nervosas específicas nos folículos capilares e outras chamadas terminais ou receptores de Ruffini. As primeiras, formadas por axônios que envolvem o folículo piloso, captam as forças mecânicas aplicadas contra o pêlo. Os terminais de Ruffini, com sua forma ramificada, são receptores térmicos de calor.

2 – Receptores Comuns

Corpúsculos de Paccini: captam especialmente estímulos vibráteis e táteis.São formados por uma fibra nervosa cuja porção terminal, amielínica, é envolta por várias camadas que correspondem a diversas células de sustentação. A camada terminal é capaz de captar a aplicação de pressão, que é transmitida para as outras camadas e enviada aos centros nervosos correspondentes.

Discos de Merkel: de sensibilidade tátil e de pressão. Uma fibra aferente costuma estar ramificada com vários discos terminais destas ramificações nervosas. Estes discos estão englobados em uma célula especializada, cuja superfície distal se fixa às células epidérmicas por um prolongamento de seu protoplasma. Assim, os movimentos de pressão e tração sobre epiderme desencadeam o estímulo.

Terminações nervosas livres: sensíveis aos estímulos mecânicos, térmicos e especialmente aos dolorosos. São formadas por um axônio ramificado envolto por células de Schwann sendo, por sua vez, ambos envolvidos por uma membrana basal.

3 – Receptores Específicos

Corpúsculos de Meissner: táteis. Estão nas saliências da pele sem pêlos (como nas partes mais altas das impressões digitais). São formados por um axônio mielínico, cujas ramificações terminais se entrelaçam com células acessórias.

Bulbos terminais de Krause: receptores térmicos de frio. São formados por uma fibra nervosa cuja terminação possui forma de clava.Situam-se nas regiões limítrofes da pele com as membranas mucosas (por exemplo: ao redor dos lábios e dos genitais).

Nas camadas inferiores da epiderme estão os melanócitos, células que produzem melanina, pigmento que determina a coloração da pele.

As glândulas anexas – sudoríparas e sebáceas – encontram-se mergulhadas na derme, embora tenham origem epidérmica. O suor (composto de água, sais e um pouco de uréia) é drenado pelo duto das glândulas sudoríparas, enquanto a secreção sebácea (secreção gordurosa que lubrifica a epiderme e os pêlos) sai pelos poros de onde emergem os pêlos.

A transpiração ou sudorese tem por função refrescar o corpo quando há elevação da temperatura ambiental ou quando a temperatura interna do corpo sobe, devido, por exemplo, ao aumento da atividade física.

4 – Derme

A derme, localizada imediatamente sob a epiderme, é um tecido conjuntivo que contém fibras protéicas, vasos sangüíneos, terminações nervosas, órgãos sensoriais e glândulas. As principais células da derme são os fibroblastos, responsáveis pela produção de fibras e de uma substância gelatinosa, a substância amorfa, na qual os elementos dérmicos estão mergulhados.

A epiderme penetra na derme e origina os folículos pilosos, glândulas sebáceas e glândulas sudoríparas. Na derme encontramos ainda: músculo eretor de pêlo, fibras elásticas (elasticidade), fibras colágenas (resistência), vasos sangúíneos e nervos.

5 – Hipoderme (Tecido Subcutâneo)

Sob a pele, há uma camada de tecido conjuntivo frouxo, o tecido subcutâneo, rico em fibras e em células que armazenam gordura (células adiposas ou adipócitos). A camada subcutânea, denominada hipoderme, atua como reserva energética, proteção contra choques mecânicos e isolante térmico.

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Learning Tattoo - Capítulo 7, Lavagem das Mãos

Capítulo 7


Introdução

Evite infecção cruzada. A lavagem das mãos é, sem dúvida, a rotina mais simples, mais eficaz, e de maior importância na prevenção e controle da disseminação de infecções, devendo ser praticada por todos os tatuadores, sempre ao iniciar e ao término de uma tarefa.

1 – Quando lavar as mãos

- No início e no fim do turno de trabalho.
- Antes e após o uso de luvas.
- Após utilizar o banheiro.
- Antes e depois de contato com clientes.
- Depois de manusear material contaminado, mesmo quando as luvas tenham sido usadas.
- Após o contato direto com secreções e matéria orgânica.
- Após o contato com superfícies e artigos contaminados.
- Quando as mãos forem contaminadas, em caso de acidente.
- Após coçar ou assoar nariz, pentear os cabelos, cobrir a boca para espirrar, manusear dinheiro.
- Antes de comer, beber, manusear alimentos ou fumar.
- Após manusear quaisquer resíduos.
- Ao término de cada tarefa.
- Ao término da jornada de trabalho.

2 – Técnica de lavagem das mãos

- Retirar anéis, pulseiras e relógio.
- Abrir a torneira e molhar as mãos sem encostar na pia.
- Colocar nas mãos aproximadamente 3 a 5 ml de sabão. O sabão deve ser, de preferência, líquido e hipoalergênico.
- Ensaboar as mãos friccionando-as por aproximadamente 15 segundos.
- Friccionar a palma, o dorso das mãos com movimentos circulares, espaços interdigitais, articulações, polegar e extremidades dos dedos (o uso de escovas deverá ser feito com atenção).
- Os antebraços devem ser lavados cuidadosamente, também por 15 segundos.
- Enxaguar as mãos e antebraços em água corrente abundante, retirando totalmente o resíduo do sabão.
- Enxugar as mãos com papel toalha.
- Fechar a torneira acionando o pedal, com o cotovelo ou utilizar o papel toalha; ou ainda, sem nenhum toque, se a torneira for fotoelétrica. Nunca use as mãos.


3 – Proteja-se

- Lave corretamente as mãos.
- Utilize corretamente os equipamentos de proteção individual - EPI.


4 – Lembretes técnicos

- O uso de luvas não exclui a lavagem das mãos.
- Manter líquidos anti-sépticos para uso, caso não exista lavatório no local.
- Tem-se comprovado que a contagem de microrganismos sob as unhas e quando se está usando anéis, relógios e pulseiras é mais alta.
- Mantenha as unhas tão curtas quanto possível, e remova todas as jóias antes da lavagem das mãos.
- Realize o mesmo procedimento a cada cliente.
- A lavagem das mãos deve ser feita em uma pia distinta daquela usada para a lavagem do instrumental.
- Deve-se evitar lesionar as mãos. Caso as luvas sejam rasgadas ou puncionadas durante quaisquer procedimento, elas devem ser removidas imediatamente, e as mãos devem ser lavadas cuidadosamente.
- Profissionais com lesões nas mãos ou dermatites devem abster-se, até o desaparecimento dessas lesões.


Em caso de dúvida, "LAVE SUAS MÃOS"!


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Sunday, May 18, 2008

Learning Tattoo - Capítulo 6, Monitoração dos Ciclos de Esterilização

Introdução

Muitos estudos indicam que os equipamentos de esterilização usados frequentemente, apresentam falhas neste processo. A detecção destas falhas é feita pelo monitoramento do ciclo de esterilização. Por meio deste procedimento é possível assegurar a eficácia dos processos de esterilização utilizados (estufas ou autoclaves), e se cada artigo está realmente estéril, antes de liberar o uso. O monitoramento do ciclo de esterilização é indicado pela Secretria o Estado da Saúde, pela já famosa Resolução SS-15 de 19/01/99, devendo ser realizado em vários níveis, por indicadores físicos, químicos e biológicos.

Por quê monitorar o ciclo se eu vejo que meu aparelho está funcionando bem? Se a autoclave é o método mais eficiente de esterilização e está funcioando, por quê gastar ainda com a monitoração? Você perceberá a importância da monitoração dos ciclos de esterilização ao ler o artigo abaixo.


1 - Indicadores Físicos

Significa monitorar a parte física do equipamento (estufa por calor seco ou autoclave), no tocante ao manômetro, manovacuômetros, lâmpadas piloto, termostatos, led's, bips, painéis, etc. Suas indicações devem ser acompanhadas a cada 3 minutos durante as estapas do ciclo e registradas preferencialmente por meio de um gráfico. Em equipamentos modernos podem ser microprocessados eletrônicamente. Todo equipamento deve passar periodicamente por uma manutenção preventiva (antes de surgir o defeito) e corretiva, quando apresentar o defeito.

2 - Indicadores Químicos

São produtos de natureza química aplicados, normalmente a tiras de papel que asteram a coloração, quando são submetidos às condições de esterilização. Podem ser colocados nas câmaras ou embalagens.

3 - Indicadores Químicos Externos (de passagem)

Devem estar presentes em todas as embalagens de artigos estéreis. São usados no lado externo do pacote para evidenciar a passagem do material pelo esterilizador. Eles facilitam a identificação dos pacotes que já passaram pelo preocesso de esterilização, evitando que pacotes não processados sejam utilizados. Importante: estes indicadores são encontrados na forma de fitas zebradas utilizadas para lacrar os pacotes ou impressos com tintas indicativas, sendo sensíveis a pequenas alterações de temperatura, portanto não podem ser utilizados como indicadores de esterilidade.

4 - Indicadores Químicos Internos

Eles monitoram individualmente cada pacote, indicando, que as condições corretas de esterilização foram atingidas durante o ciclo. São fitas que devem ser posicioandas no interior de cada pacote. Os indicadores químicos internos permitem que o usuário saiba se houve uma falha na esterilização, que possa ter causado comprometimento da transferência do agente esterilizante da câmara para o interior do pacote. A vantagem de utilizá-los no controle dos pacotes é que les permitem que o usuário separe e recuse aqueles que não foram expostos às condições necessárias à esterilização.

5 - Indicadores Químicos Multiparamétricos

Devem responder a pelo menos dois dos parâmetros críticos (tempo e temperatura) do controle da esterilização, mediante a mudança de coloração. Podem monitorar esterilização em estufas, autoclaves e óxido de etileno. Geralmente são colocados em uma região de difícil acesso do agente esterilizante, que geralemtne é o centro geométrico do pacote e indicam se o vapor penetrou até aquele ponto. Pacotes maiores podem ser monitorados, posicionando-se dois indicadores em cantos diagonalmentes opostos. Após o processamento, a tinta impressa na tira do papel estará mais escura.

6 - Integradores Químicos

Classificados como o mais alto nível de indicadores químicos e destinam-se a responder todos os parâmetros da esterilização, pois se utilizam de processo químicos e físicos para controlar a performace. A diferença básica entre um integrador químico e um indicador químico multiparamétrico está no intervalo de precisão da monitorização para controle dos pacotes que, no caso do integrador, é menor e mais exato do que o intervalo de precisão alcançado pelo multiparamétrico. Além de um desempenho preciso, uma vantagem adicional dos integradores do tipo "auto-explicativo é a leitura que dispensa interpretação dos resultado. O integrador desenvolve uma coloração escura que se move para frente, percorrendo todo o caminho até a janela 'ACCEPT' ou estacionando na janela 'REJEVT". Os integradores para uso em autoclaves a vapor integram as três variáveis críticas de esterilização, que são temperatura, tempo e presença de calor saturado. Existem ai9nda os integradores químicos para os cilcos de óxido de etileno e equipamentos com bomba de vácuo;

7 - Indicadores Biológicos

Estes indicadores encontrados na forma de tiras ou ampolas, são constituídos de uma suspensão de esporos bacterianos termorresistentes, do gênero Bacillus, que são bactérias termofílicas formadoras de esporos, capazes de sobreviver em temperaturas, nas quais as proteínas são rapidamente desnaturadas. Os sistemas que contêm esporos do Bacilus stearothermophilus são usados para ciclos de esterilização a vapor; B. subtilis para ciclos de esterilização a calor seco e B. subtilis var. niger para óxiso de etileno. Os indicadores, após passarem pelo ciclo de esterilização, devem ser incubados, revelando posteriormente se os esporos foram ou não destruídos. Quando os esporos são destruídos, por representarem os microorganismos mais difíceis de serem destruídos, pode-se deduzir que todas as outras formas de vida microscópica foram mortas. Dentre os três tipos de monitoração, o monitoramento biológico é o que mais comprova a esterilização, proporcioando um controle mais rigoroso do processo, pois são os únicos indicadores capazes de certificar a morte efetiva dos microorganismos.

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Saturday, May 17, 2008

Learning Tattoo - Capítulo 5, Procedimentos para Tatuadores e Pierceres

Capítulo 5

Neste capítulo você confere a primeira edição do Manual de Procedimentos para Tatuadores e Pierceres, escrito pela tatuadora Mallu Santos (SA Tattoo - Santos) em 2004. Uma excelente referência para tatuadores iniciantes e profissionais. Agradecemos e parabenizamos a Mallu Santos pela iniciativa.

Introdução

Esta norma técnica é parte de um conjunto de ações desenvolvidas no ano de 2004, com a proposta de elaborar um documento básico de racionalização da escolha e do uso dos produtos e métodos para processamento de artigos e superfícies em clínicas de tatuagem e piercing.

Este trabalho é baseado nas normas de procedimentos em estabelecimentos de saúde, que foram elaboradas com a participação de técnicos da área de assistência e gerenciamento do Sistema Único de Saúde (SUS) e de profissionais da indústria. O conteúdo descreve métodos físicos e químicos do processamento de artigos e superfícies e de algumas substâncias em clínicas de tatuagem e piercing, além de mostrar um resumo rápido do procedimento de tatuagem e piercing em si.
Assim, tem-se como objetivo proporcionar aos profissionais a possibilidade de esclarecer dúvidas , bem como colocar em prática as especificações apresentadas, optando pelo que melhor se adapte às condições de cada clínica.

Durante anos as profissões de tatuador e de bodypiercer vêm ficando á margem e até mesmo numa certa clandestinidade, por não terem uma regulamentação e fiscalização adequada. Com o crescimento do setor temos a necessidade de formalizar os procedimentos, até porque o número de pessoas que se colocam dia a dia neste mercado é muito grande, e há um grande risco de que com um atendimento sem um conhecimento dos procedimentos que devem ser tomados, sejam causados problemas que nos afetariam como um todo.

O manual foi formulado adequando normas de biossegurança usadas na área de saúde ao nosso segmento de trabalho, analisando nossas necessidades específicas, sem no entanto complicar a vida do profissional.

Mallu Santos

1 – Higiene do estúdio

Superfícies

As superfícies fixas ( pisos, paredes, tetos, portas, mobiliários, equipamentos e demais instalações) não representam risco significativo de transmissão de infecção para clinicas de tatuagem ou piercing.
Sabe-se que as infecções devem-se, primordialmente, aos fatores inerentes ao próprio paciente( idade, condições clínicas e nutricionais, etc.) e, majoritariamente, e ao procedimento a que o paciente é submetido, ou seja, quanto mais extenso for o trabalho, mais vulnerável ficará seu organismo.
É desnecessária a desinfecção de paredes, corredores, pisos, tetos, janelas, portas, a menos que haja respingo ou deposição de matéria orgânica, quando é recomendada a desinfecção localizada. Existem locais e mobiliários que podem constituir risco de contaminação para pacientes e pessoais, pela presença de descarga de excreta, secreção ou exsudação de material orgânico. Estes locais necessitam de descontaminação antes ou concomitante à limpeza.
As superfícies que estiverem com presença de matéria orgânica em áreas críticas, semi-críticas e não-críticas deverão sofrer processo de desinfecção ou descontaminação localizada e, posteriormente, deve-se realizar a limpeza com água e sabão em toda a superfície, com ou sem auxílio de máquinas. Nestes procedimentos usar os EPI necessários.

A DESINFECÇÃO será feita da seguinte forma:

- com uso de luvas, retirar o excesso da carga contaminante em papel absorvente;
- desprezar o papel saco plástico de lixo ;
- aplicar, sobre a área atingida, desinfetante adequado e deixar o tempo necessário;
- remover o desinfetante com pano molhado e
- proceder à limpeza com água e sabão no restante da superfície.

A DESCONTAMINAÇÃO deve ser feita da seguinte forma:

- aplicar o produto sobre a matéria orgânica e esperar o tempo de ação deste;
- remover o conteúdo descontaminado com auxilio de papel absorvente (usando luvas);
- desprezar no lixo e
- proceder à limpeza usual, com água e sabão, no restante da superfície.
As áreas que permanecem úmidas ou molhadas têm mais condições de albergar e reproduzir germes gram-negativos e fungos; as áreas empoeiradas podem albergar germes gram-positivos, micobactérias e outros. Daí, a necessidade de secar muito bem as superfícies e artigos, e de ser proibida a VARREDURA SECA em áreas de procedimentos invasivos.
Os mops, esfregões, panos de limpeza e de chão, escovas e baldes deverão ser lavados nas salas de utilidades e/ou na lavanderia, diariamente ou após o uso em locais contaminados.
Os produtos indicados para desinfecção e descontaminação de superfícies estão referidos mais á frente.
Os passos seqüenciais do processamento de superfícies estão apresentados, resumidamente.

Seleção de desinfetantes

Devem ser levados em consideração os seguintes itens na seleção de desinfetantes/esterilizantes hospitalares e detergentes:

a) Quanto às superfícies, equipamentos e ambiente:

- Natureza da superfície a ser limpa ou desinfetada, e se a mesma pode sofrer corrosão ou ataque químico;
- Tipo e grau de sujidade e sua forma de eliminação;
- Tipo de contaminação e sua forma de eliminação (microorganismo envolvido com ou sem matéria orgânica presente);
- Qualidade de água e sua influencia na limpeza e desinfecção;
- Método de limpeza e desinfecção, tipo de maquinas e acessórios existentes.
Caso o germicida entre em contato direto com funcionários, considerar irritação dérmica e toxicidade;
- Segurança na manipulação e uso.

b) Quanto ao tipo de germicida:

- Tipo de agente químico e concentração;
- Tempo de contato para ação;
- Toxicidade;
- Inativação ou não em presença de matéria orgânica;
- Prazo de validade para uso e estabilidade;
- Condições para uso seguro;
- Necessidade de retirar resíduos após utilização

Álcoois

Tipos:

O álcool etílico tem maior atividade germicida, menor custo e toxicidade que o isopropílico. O álcool isopropílico tem ação seletiva para vírus, é mais tóxico e com menor poder germicida que o etílico.

Indicações de uso:

- Desinfecção de nível intermediário ou médio de artigos e superfícies: com tempo de exposição de 10 minutos ( 3 aplicações)*, a concentração de 77% volume-volume, que corresponde a 70% em peso;
- Descontaminação de superfícies e artigos: mesmo tempo de exposição e concentração da desinfecção.

Os artigos e superfícies que podem ser submetidos são:

- Borrifadores
- Máquinas de tatuar
- Superfícies das bancadas
- Superfícies das macas
- Superfícies externas de equipamentos metálicos;
*As aplicações devem ser feitas da seguinte forma: friccionar álcool 70%, esperar secar e repetir três vezes a aplicação.

Recomendações de uso:

- Se adquirido pronto para uso, deve assegurar-se da qualidade do produto;
- imergir ou friccionar o produto na superfície do artigo, deixar secar sozinho e repetir 3 vezes o procedimento, até completar o tempo de ação;
- pode ser usado na desinfecção concorrente ( entre atendimentos);
- é contra-indicado o uso em acrílico, enrijece borrachas e tubos plásticos.

Compostos Inorgânicos Liberadores de Cloro Ativo:

• Hipoclorito de Sódio/Cálcio/Lítio

Indicações de uso:

- desinfecção de nível médio de artigos e superfícies;
- descontaminação de superfícies.

Tempo de exposição para:

- descontaminação de superfícies = 10 minutos, em 1% de cloro ativo ( 10:000
ppm).

Recomendações de uso:

- O uso deste produto é limitado pela presença de matéria orgânica, capacidade corrosiva e descolorante;
- os artigos submetidos até a concentração de 0,02% não necessitam de enxágüe;
- as soluções devem ser estocadas em lugares fechados, frescos, escuros (frascos opacos);
- não utilizar em metais e mármore, pela ação corrosiva.

• Quaternário de amônia

Indicações de uso:

- desinfecção de baixo nível: tempo de exposição de 30 minutos, na concentração indicada pelo fabricante;
- está indicado para superfícies e equipamentos em áreas de alimentação;

Recomendações de uso:

- ao ser aplicado, precisa de fricção sobre a superfície, conforme indicação do fabricante;
- ao final de qualquer processo adotado, desinfetar pia, torneiras, expurgos, recipientes e luvas de borracha utilizadas na limpeza ou descontaminação de artigos.

Parte 2 – Processamento de artigos

Artigos

Os artigos destinados à penetração através da pele e mucosas adjacentes, nos tecidos subepiteliais, bem como todos os que estejam diretamente conectados com este sistema, são chamados de ARTIGOS CRÍTICOS. Estes requerem esterilização para satisfazer os objetivos a que se propõem.
Os artigos destinados ao contato com a pele não-íntegra ou com mucosas íntegras são chamados de ARTIGOS SEMI-CRITICOS e requerem desinfecção de médio ou de alto nível, ou esterilização, para ter garantida a qualidade do múltiplo uso destes.
Os artigos classificados nesta categoria, se forem termorresistentes, poderão ser submetidos à autoclavagem, por facilidade operacional, eficácia e redução de custos, mesmo que a esterilização não seja indicada para o fim a que se destina o artigo.
Os artigos destinados ao contato com a pele íntegra do paciente são chamados
de ARTIGOS NAO-CRITICOS e requerem limpeza ou desinfecção de baixo ou médio nível, dependendo do uso a que se destinam ou do último uso realizado.

Passos Seqüenciais do Processamento de Artigos

É recomendado que todo processamento de artigos seja centralizado, por motivos de custo, eficiência de operacionalização, facilidade de manutenção do padrão de qualidade e aumento do tempo de vida útil dos mesmos.
O manuseio de artigos requer que cada procedimento seja acompanhado da indicação do Equipamento de Proteção Individual (EPI) especifico, em relação à natureza do risco ao qual o pessoal se expõe. Os riscos são em relação ao material biológico, químico e térmico.

Considerar no processamento de artigos que:

- Independentemente do processo a ser submetido, todo artigo deverá ser considerado como “contaminado”, sem levar em consideração o grau de sujidade presente;
- Seus passos seqüenciais, os quais estão apresentados no fluxograma, devem ser: a limpeza ou descontaminação, desinfecção e/ou esterilização ou estocagem, conforme o objetivo de uso do artigo;
- É necessário classificar o artigo de acordo com o risco potencial de infecção envolvido em seu uso e definir o tipo de processamento a que será submetido (desinfecção ou esterilização);
- Para que a remoção da sujidade ou matéria orgânica não se constitua em risco a pessoa que os manuseia e ao local onde esta limpeza ou descontaminação é realizada, é imprescindível o uso de EPI, como preconizado nos procedimentos de precauções universais e de segurança.

A. Limpeza

A limpeza de artigos poderá ser feita por qualquer das seguintes alternativas:
• fricção mecânica, utilizando água e sabão auxiliados por escovas ( padronizar pia ou recipiente para este fim), OU
• máquina de limpeza com jatos de água quente ou detergente, OU
• máquinas de ultra-som com detergentes / desencrostantes.

B. Descontaminação

A descontaminação de artigos poderá ser feita por qualquer uma das seguintes
alternativas:
• fricção auxiliada por escova, etc.; embebidos com produto para esta finalidade, OU
• imersão completa do artigo em solução desinfetante acompanhada ou não de fricção com escova/esponja, OU
• pressão de jatos de água com temperatura entre 60 e 90 graus centígrados, durante 15 minutos ( maquinas lavadoras sanitizadoras, esterilizadoras de alta pressão, termo desinfetadoras e similares), OU
• imersão do artigo na água em ebulição por 30 minutos, OU
• autoclavagem previa do artigo ainda contaminado, sem o ciclo de secagem.
A escolha da alternativa deve ser baseada nas possibilidades do estabelecimento, obedecendo a natureza do artigo em processamento.

C. Enxágüe

Para o enxágüe após a limpeza e/ou descontaminação, a água deve ser potável
e corrente.

D. Secagem

A secagem dos artigos objetiva evitar a interferência da umidade nos processos
e produtos posteriores e poderá ser feita por uma das seguintes alternativas:
• papel absorvente, OU • estufa ( regulada para este fim )

Conforme o destino do artigo, armazená-lo ou submete-lo à desinfecção ou esterilização.

É necessária a validação dos produtos.

E. Processamento

E.1. Se Esterilização
E.1.1. Por Meio Físico:
• acondicionar os artigos em invólucros de grau cirúrgico e outros para este fim, adequados ao tipo de processamento escolhido;
• submeter os artigos à máquina esterilizadora. Observar e registrar temperatura e/ou pressão e monitorar o tempo de exposição, conforme as orientações do fabricante;
• validar e monitorizar o processo conforme indicado em cada alternativa.
A esterilização por meio físico pode ser realizada pelos seguintes processos, em
clínicas de tatuagem e/ou piercing:

Autoclaves

As autoclaves são equipamentos que se utilizam de vapor saturado para realizarem o processo de esterilização.
O vapor saturado, ou seja, de temperatura equivalente ao ponto de ebulição da água, na pressão considerada, é o meio de esterilização mais econômico para materiais termorresistentes.
O vapor úmido deve ser evitado, pois tem menos calor que o vapor saturado e produz gotículas de água em suspensão, o que pode causar problemas, tanto na esterilização como na secagem final do material.
Os tempos, temperaturas e pressão das autoclaves deverão ser aquelas recomendadas pelo fabricante, pois tais autoclaves poderão ter ciclos para esterilização a vapor dos seguintes tipos:
1- Esterilização por gravidade- consiste em introduzir o vapor na câmara interna do aparelho e eliminar o ar interno por expulsão, ou seja, forçar a saída do ar na medida em que o vapor for injetado. Neste processo, o aquecimento da carga é feito de fora para dentro, acumulando o tempo de aquecimento. Também no processo de gravidade, o sistema de secagem é feito por venturi, conseguindo-se um vácuo de capacidade media, sendo que, ao alongar o tempo de exposição, previamente determinado, ter-se-á materiais secos e estéreis;
2- Esterilização por alto vácuo - introduz o vapor na câmara interna do aparelho;
3- Esterilização por alto vácuo com ciclo pulsátil- o processo de esterilização com alto vácuo e entrada de vapor facilita a subida da temperatura para iniciar a esterilização e gera maior segurança no processo, porque todo o ar do material e da câmara é retirado pela alta capacidade de sucção da bomba de vácuo.
Após a contagem do tempo de exposição, a bomba de vácuo entra novamente em funcionamento, fazendo a sucção do vapor e da umidade interna do pacote, conseguindo, assim, a redução do tempo de exposição, esterilização e secagem pelo aquecimento rápido da carga.

Indicações de uso:

- Para esterilização de todos os artigos críticos termorresistentes, este método é mais seguro e eficaz;
- Alguns artigos semi-criticos, termorresistentes, por facilidade operacional e de tempo, podem ser submetidos à autoclavagem.

Artigos e substâncias que podem ser submetidos são:

• Todas as autoclaves têm condições de fazer esterilização de líquidos, sendo necessário interromper o processo no tempo de secagem. Nas autoclaves com vácuo pulsátil e automáticas, deve-se efetuar a esterilização de líquidos, utilizando o programa próprio para isto, já existente nestas máquinas.
• Bicos
• Agulhas novas previamente soldadas
• Gabaritos de solda
• Tesouras
• Alicates
• Pinças
• Alargadores em aço
• Piercings em aço
• Cubas e recipientes em aço

Recomendações de uso:

- conforme indicação do fabricante;
- manutenção preventiva, no mínimo, semanal;
- conhecer e praticar a distribuição dos pacotes em relação à posição dos mesmos e ao tipo de material submetido ao processo.

Invólucros para esterilização:

- embalagem de papel grau cirúrgico;
- embalagem de papel Kraft com pH 5-8;
- filme poliamida entre 50 e 100 micras de espessuras.

Monitorização:

- identificação visual dos pacotes com fita termossensível, para assegurar que o pacote passou pelo calor;

Validação:

E.1.2. Por Meio Químico:
E.1.2.1. Líquido
• Imergir o artigo na solução adequada:
- utilizar EPI e garantir farta ventilação do local;
- observar e respeitar o tempo de exposição indicado, mantendo o recipiente tampado;
• Enxaguar artigos submetidos, inclusive o interior das tubulações com água esterilizada ou soro fisiológico estéril e técnica asséptica. Recomendam-se múltiplos enxágües para eliminar os resíduos do produto utilizado. Usar todo conteúdo do recipiente de água estéril, de uma só vez. Evitar recipientes para múltiplo uso;
• Secar externamente os artigos, com técnica asséptica e compressa estéril;
• Acondicionar o artigo processado em recipiente ou invólucro adequado estéril e destinar ao uso imediato.

Os produtos destinados a este processo são os que seguem:

Glutaraldeído

Indicações de uso:

- Esterilização: tempo de exposição nas concentrações de 2%, conforme orientação do fabricante.
- Esterilização a frio de artigos críticos, termossensíveis como:
• piercings de acrílico;
• piercings de poliestireno, nylon.
• batoques;

Recomendações de uso:

Quanto aos artigos:

- obter informações junto ao fabricante do artigo, para saber se o mesmo pode
ser processado em Glutaraldeído;
- materiais demasiadamente porosos como os de látex podem reter
Glutaraldeído, caso não haja bom enxágüe;
- não misturar artigos de metais diferentes, pois pode haver corrosão eletrolítica, se houver contato entre eles.

Quanto ao processo:

- os Glutaraldeído alcalinos ou neutros são menos corrosivos que os ácidos;
- ativar o produto e/ou verificar se está dentro do prazo de validade para utilização;
- usar a solução em recipiente de vidro ou plástico, preferentemente;
- quando utilizar caixa metálica, proteger o fundo da mesma com compressa, evitando o contato com os artigos a serem processados;
- manter os recipientes tampados.

Quanto à validade da solução ativada em uso:

- não deixar a solução em temperaturas superiores a 25º C;
- observar a validade da solução de repetidos usos, por meio de fitas-teste, “kit” líquidos ou similares. Utilizar teste específico para cada formulação. Os melhores testes são aqueles que dão como resultado uma concentração de até 1% de glutaraldeído;
- na impossibilidade de fazer testes, observar o aspecto da solução quanto à presença de depósitos e quanto à alteração da coloração e pH. Nesta situação, descartar a solução, mesmo dentro do prazo de validade estipulado pelos fabricantes.

Formaldeido

Indicações de uso:

- A esterilização ocorre conforme o tempo de exposição orientado pelo fabricante.
- Usualmente, o tempo mínimo é de 18 horas, tanto para a solução alcoólica a 8%, quanto para a solução aquosa a 10%.

Artigos a serem submetidos:

• piercings de acrílico;
• piercings de poliestireno, nylon.
• batoques;

Recomendações de uso:

Quanto aos artigos:

- quanto maior o tempo de esterilização, maiores problemas podem surgir.

Quanto ao processo:

- usar solução em recipiente de vidro ou plástico, preferentemente;
- proteger o fundo com compressa, quando utilizar caixa metálica, evitando o contato com os artigos a serem processados;
- manter os recipientes tampados;

Quanto à validade da solução em uso:
- não existe monitoramento biológico ou químico disponível no mercado;
- não deixar a solução em temperaturas superiores a 25° C;
- descartar a solução ao final do dia ou antes, se a mesma sofrer alteração em seu aspecto ou existir presença de depósitos.

Quanto à toxicidade:

- embora considerado desinfetante/esterilizante, seu uso em estabelecimentos de saúde é limitado pelos vapores irritantes, odor desagradável e comprovado potencial carcinogênico. Não consta das recomendações do Center for Disease Control(CDC)-EUA e o limite de exposição permitido é 1ppm, durante 30 minutos.

F. Estocagem

Após submeter os artigos ao processamento mais adequado, estocá-los em área separada, limpa, livre de poeiras, em armários fechados, preferencialmente. As áreas de estocagem próximas às pias, água ou tubos de drenagem são proibidas.
Os artigos esterilizados por meio físico podem ser estocados até uma semana em prateleira aberta ou até um mês, se colocado sob uma cobertura de plástico ou bolsa selada.

3 - Passo a passo do procedimento de tatuagem

1. Preparação da bancada com todo o material necessário
2. Colocação do EPI
3. Limpeza da pele com álcool iodado ou álcool comum
4. Raspagem dos pelos com lâmina descartável
5. Aplicação do produto que conduz o decalque com abaixador de língua descartável
6. Aplicação do decalque
7. Aplicação do traçado
8. Aplicação do sombreado
9. Aplicação das cores escuras
10. Aplicação das cores claras
11. Limpeza da tatuagem com sabão anti-séptico
12. Aplicação de bandagem
13. Recomendação de cuidados

Considerações específicas para tatuagem

• O EPI a ser utilizado é composto de luvas de procedimento em látex, óculos protetores e máscara.
• É conveniente o uso de avental para proteger a roupa de resíduos de tinta contaminada.
• O papel toalha usado na limpeza dos resíduos da tatuagem deve ser previamente destacado do rolo para evitar a contaminação cruzada.
• Máquinas de tatuagem e borrifadores devem ser protegidas com sacos plásticos descartáveis.
• As superfícies tocadas pelo profissional durante o procedimento, como luminárias, bancada, suportes da cadeira, etc, devem ser protegidos com plástico filme, devendo este ser trocado a cada procedimento.
• Nunca se deve tocar nas gavetas, atender telefone ou manusear quaisquer objetos que não os de uso único e exclusivo naquele cliente quando calçado das luvas, a fim de evitar a contaminação cruzada.
• O produto escolhido para a transferência do decalque deve ser aplicado no cliente com o auxílio de abaixador de língua descartável, e não diretamente esfregando-se o bastão sobre o cliente.
• As tintas deverão ser colocadas fracionadas em batoques previamente esterilizados e estes deverão ser descartados ao fim da tatuagem.
• Agulhas e biqueiras devem ser retiradas da embalagem lacrada somente na frente do cliente, ao início da tatuagem.

4 - Passo a passo do procedimento de Piercing

1. Preparação da bancada com todo o material necessário
2. Colocação do EPI
3. Limpeza da pele com álcool iodado ou álcool comum, ou no caso de piercings bucais fazer assepsia com Listerine ou Malvatricin.
4. Higiene da área com Iodopovidona ou Clorexidine
5. Aplicação anestésico tópico
6. Marcação do local a ser perfurado
7. Pinçagem, caso necessária
8. Perfuração
9. Colocação da jóia
10. Assepsia
11. Recomendação de cuidados

Considerações específicas para Piercing

• O EPI a ser utilizado é composto de luvas de procedimento em látex, óculos protetores e máscara.
• É conveniente o uso de avental para proteger a roupa de resíduos de sangue.
• Todo o material deve ser separado previamente antes de serem calçadas as luvas.
• As superfícies tocadas pelo profissional durante o procedimento, como luminárias, bancada, suportes da cadeira, etc, devem ser protegidos com plástico filme, devendo este ser trocado a cada procedimento.
• Nunca se deve tocar nas gavetas, atender telefone ou manusear quaisquer objetos que não os de uso único e exclusivo naquele cliente quando calçado das luvas, a fim de evitar a contaminação cruzada
• Todo o material deve ser retirado da embalagem lacrada na frente do cliente (pinça, tesouras, agulhas)

Glossário

ARTIGOS - Compreendem instrumentos de naturezas diversas: utensílios (bicos, hastes, tesouras, etc), acessórios de equipamentos e outros.
ARTIGO DESCARTÁVEL - É o produto que, após o uso, perde suas características originais e não deve ser reutilizado e nem reprocessado.
ARTIGO MÉDICO-HOSPITALAR DE USO ÚNICO - É o produto que, após o uso, perde suas características originais ou que, em função de outros riscos reais ou potenciais à saúde do usuário, não deva ser reutilizado.
DESCONTAMINAÇÃO - É o processo de eliminação total ou parcial da carga microbiana de artigos e superfícies, tornando-os aptos para o manuseio seguro. Este processo pode ser aplicado através da limpeza, desinfecção e esterilização. Artigos descontaminados devem seguir o processamento adequado.
DESINFECÇÃO - É o processo físico ou químico que destrói todos os microrganismos, exceto os esporulados.
DESINFECÇÃO ALTO NÍVEL - Quando os desinfetantes são eficazes contra todas as formas vegetativas, destroem uma parte dos esporos quando utilizados entre 10 e 30 minutos.
DESIFECÇÃO MÉDIO NÍVEL OU NÍVEL INTERMEDIÁRIO - Quando os desinfetantes não destroem esporos, têm ação sobre o bacilo da tuberculose, ampla ação sobre vírus e fungos, mas não destroem, obrigatoriamente, todos eles.
DESINFECÇÃO BAIXO NÍVEL - Quando os desinfetantes têm atividade contra bactérias vegetativas, mas não destroem, esporos.
EPI - Equipamento de Proteção Individual que se compõe de óculos, máscaras, botas, luvas e avental impermeável ou não e protetor para ruídos.
ESTERILIZAÇÃO - É o processo físico ou químico que destrói todos tipos de microrganismos, inclusive os esporulados. Portaria IN nº4 - D.O.U. de 31/07/91.
LIMPEZA OU HIGIENE - É o asseio ou retirada da sujidade de qualquer superfície.
MÁQUINAS - São tratadas nesta Norma Técnica, como os equipamentos, autoclaves, estufas, de uso em estabelecimento de saúde.
MONITORAÇÃO - Controlar a rotina operacional através dos indicadores de eficiência no processo, certificando-se de que as especificações validadas para o processo estão sendo mantidas dentro do padrão estabelecido.
VALIDAÇÃO - É a documentação correspondente de evidências que dão uma razoável garantia, segundo o nível atual da ciência, de que o processo em consideração realiza ou pode realizar aquilo para o qual foi proposto (FDA).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Este manual foi baseado no Manual de Processamento de Artigos e Superfícies em Estabelecimentos de Saúde, 2ª edição - 1994

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03 - COSTA, E.A.M. Processamento de artigos hospitalares - consenso controvérsias. Monografia de Conclusão da Residência de CIH- IFF/FIOCRUZ, 1991.
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07 - PEREIRA, M. S. Infecção hospitalar. Estrutura básica de vigilância e controle. Tese Doutorado. E E Ribeirão Preto. Universidade de São Paulo, 1990.
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11 - MOURA, M. L. P.A. Estudo sobre a eficácia do ,método de esterilização pelo calor seco, usando forno de Pasteur-Estutá. "Tese de Livre Docência, UNIRIO-1990.
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14 - BRASIL. Ministério da Saúde. Reunião dos peritos para normatização do uso e reutilização de materiais médico-hospitalares descartáveis no país. Reuniões e conferências,1985.
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Learning Tattoo - Capítulo 4, Equipamentos e Suprimentos

Capítulo 4

Para a prática da tatuagem de modo seguro é nescessário muito mais que uma boa Máquina de Tatuagem. Listamos abaixo os equipamentos que completam a máquina de tatuagem, os suprimentos usados durante o procedimento da tatuagem e os equipamentos que compõem um estúdio de tatuagem.

1 - Componentes complementares da Máquina de Tatuagem

Agulhas: Depois de soldadas às Hastes, as Agulhas devem ser esterilizadas em Autoclave. Já encontram-se no mercado Agulhas soldadas, esterilizadas e devidamente embaladas. Existem Agulhas em diversos diâmetros, texturas e tamanhos, deve-se escolher a agulha adequada para cada finalidade.

Hastes: Suporte onde as agulhas são soldadas. Possuem uma circunferência em uma de suas extremidades para encaixe na máquina de tatuar.Para serem utilizadas as Hastes devem estar devidamente esterilizadas. Devido ao seu formato simples, muitos tatuadores fabricam suas proprias Hastes, existe no mercado o material bruto para fabricação de Hastes.

Biqueiras: Devem ser devidamente esterilizadas em auto-clave após estarem devidamente limpas (para tanto, usa-se produtos especiais ou um ultrasônico. Já encontra-se no mercado biqueiras descartáveis para tatuagem em diversos modelos, devidamente embaladas e esterilizadas.

Pedal: Utilizado para acionamento da máquina através dos pés. Liga-se o pedal à fonte para máquina de tattoo. Existem vários modelos de pedais, entretanto sua estrutura e funcionalidade é basicamente a mesma para todos os modelos.

Fonte: Regula a voltagem enviada à máquina. À fonte são ligados o Pedal e o Clipcord. Atualmente há no mercado fontes digitais e modelos compactos que facilitam o transporte.

Clipcord: Fio condutor de energia que liga a fonte à máquina de tattoo. Deve-se observar o tamanho do fio de forma a não comprometer os movimentos do tatuador. Fios leves, flexíveis e resistentes, são os mais indicados.


2 - Suprimentos utilizados no processo da tatuagem

Batoque: Recipiente para tinta utilizada durante a tatuagem, geralmente de material plástico e na cor vermelha. Os Batoques são descartáveis e devem ser mandidos devidamente acondicionados, evitando a contaminação dos mesmos.

Suporte para Batoques: Também conhecido como Porta-Batoques, são usados durante a tatuagem para comportarem vários Batoques. Geralmente em metal ou acrílico. Alguns tatuadores preferem o uso de palitos descartáveis como suporte, com uma pequena porção de vaselina que prende os batoques (pela parte de baixo) ao palito (base).

Barbeador: Usado para retirada de pêlos da região a ser tatuada. São descartáveis e devem ser abertos e descartados na frente do cliente.

Lápis Cópia: Também conhecido como Lápis Copy, é usado para criação do desenho no negativo que será aplicado à pele. Se o desenho for feito diretamente na pele, usa-se canetas para Free Hand.

Borrifador: Usado para borrifar a água utilizada durante o procedimento da tatuagem. Deve ser devidamente embalado para cada tatuagem e limpo periódicamente, seu conteúdo também deve ser renovado periódicamente e seu interior devidamente limpo.

Luvas descartáveis: Devem ser descartadas toda vez que o procedimento for interrompido ou finalizado. Procure o tamanho ideal da luva para sua mão, evitando assim, desconforto durante o procedimento da tatuagem.

Gabarito: Artigo com furos em diversas espessuras, usado durante o processo de soldagem das agulhas. Existem gabaritos em diversos formatos para os diversos tipos de soldagem de agulhas.

Ácido para solda: Ácido combinado com a solda durante a soldagem das agulhas. Evite contato com os olhos e com a pele. Durante a soldagem das águlhas o Ácido para Solda solta uma fumaça prejudicial à saúde, portanto, use mascáras e óculos de proteção durante a soldagem.

Avental/Jaleco: Previne contaminações, deve estar devidamente limpo. Preferencialmente branco.

Máscaras: Protege tatuador e tatuado de contaminações. Devem cobrir a região da boca e nariz, são descartáveis.

Óculos de proteção: Protege o tatuador contra contaminações e respingos de tinta. Deve estar devidamente limpo e permitir uma boa visualização da tatuagem por parte do tatuador.

Gel transfer ou fixador: Usado para aplicar o negativo à pele do tatuado. Por muito tempo foi usado desodorante em barras sem álcool. Atualmente encontram-se nas lojas de suprimentos, fixadores exclusivos para tatuagem.

Tintas: Disponíveis em diversas cores, por vezes são misturadas para criação de novas cores e tons. Existem tintas de diversas marcas, nacionais e importadas. Geralmente são comercializadas em tubos de 30 ml. Ainda não existe um orgão nacional que fiscalize as tintas para tatuagem. Portanto, muito cuidado ao adquirir suas tintas para usar um produto de procedência duvidosa. Procure empresas especializadas com conceituadas no mercado. Em breve falaremos mais sobre as tintas para tatuagem.

Papel Toalha: Utilizado pelos tatuadores para limpeza da área tatuada durante o processo da tatuagem. Com o papel toalha retira-se a tinta em excesso, permitindo uma boa visão do trabalho que esta a ser realizado.




3 - Equipamentos do estúdio de tatuagem

Maca ou cadeira: Usa-se um ou outro de acordo com a região a ser tatuada. Deve-se realizar periódicamente a assepsia destes equipamentos. Usa-se um papel hospitalar para isolar o cliente do contato direto com a maca ou cadeira. A quem prefira o uso de cadeiras para dentistas, atualmente encontram-se macas desenvolvidas exclusivamente para estúdios de tatuagem.

Autoclave: Usada para esterilização dos equipamentos, deve estar devidamente regulada para uma esterilização eficaz.

Ultrasom: Usado para limpeza dos equipamentos, não descartáveis, em conjunto com produtos químicos.

Mesa de luz: Mesa com iluminação usada na criação de desenho e dos negativos usados na tatuagem.

Pia: Usada para limpeza dos equipamentos, deve ser adequada, ser mantida constantemente limpa e ser equipada com torneira de acionamento com os pés.

Seladora: Equipamento utilizado para selar as embalagens especiais onde encontram-se os equipamentos que irão para autoclave.

Bancada: Local onde ficarão reunidos os materiais usados durante o processo da tatuagem (Máquina, Batoques, Papel Toalha, Borrifador). Deve estar devidamente esterilizada e coberta com um forro que será descartado após o término da tatuagem.

Lixo: Devem ser acionado com os pés, sendo indicado o de aço inox pela facilidade de limpesa e identificação de sugeiras, deve conter a identificação de risco biológico e ter fechamento adequado.


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Monday, May 12, 2008

Learning Tattoo - Capítulo 3, Regulagem da Máquina de Tattoo

Capítulo 3


Introdução

Este capítulo foi desenvolvido para regulagem de máquinas de acordo com os diversos tipos de materiais existentes no mercado, todas as marcas podem ser reguladas seguindo este manual.

Em primeiro lugar devemos conhecer o equipamento que desejamos regular. Não é possível estabelecer um padrão para a regulagem porque os equipamentos fornecidos no mercado variam muito entre si, então devemos fazer testes para chegar a uma regulagem perfeita do equipamento.

1 - Analisando a fonte de alimentação

Em primeiro lugar devemos ver se a voltagem da fonte é de fato a que está sendo marcada pela escala numérica. Será necessário para os testes um MULTIMETRO DIGITAL encontrado em lojas de eletrônica por um custo baixo, por volta de R$ 25,00 a R$ 40,00. Para estes testes foi usado o multímetro digital UNI-T DT830B.

2 - Descobrindo a voltagem ideal

Ajuste a escala do multímetro em 20 volts e coloque o cabo vermelho que acompanha o multímetro em (vma 0.2A Max Fused 1000vdc 750vac) e o cabo preto em (com) lembrando que o cabo vermelho é positivo e o cabo preto negativo.

Ligue os cabos de acordo com a figura abaixo:

Gire o botão deslizante da fonte de alimentação e verifique se a voltagem mostrada pelo multímetro é igual a voltagem mostrada na escala da fonte. Este teste é apenas para termos uma porcentagem diferencial da fonte de alimentação, não sendo muito importante na prática.

3 - Amperagem da fonte de alimentação

Agora descobriremos qual é a amperagem real que sua fonte de alimentação suporta. Este teste é muito importante, porque assim descobriremos se a fonte se ajusta ao tipo de máquina de você esta usando. Para descobrir a amperagem exata de sua fonte, ajuste o multímetro para 10A, coloque o cabo vermelho que acompanha o multímetro em (10A DC 10A Max 10 seg EACH 15 min) e o cabo preto em (com).

As ligações entre o aparelho e a fonte devem ser como a figura abaixo:


Como você pode observar a ligação é a mesma da figura anterior, a diferença está nos ajustes feitos no multímetro. Para medir a amperagem, o multímetro coloca a fonte em curto-circuito, por este motivo você não pode deixar a fonte ligada por mais de 10 segundos, pois existe o risco de danificar os diodos retificadores e os sistemas de CI que é o dispositivo que controla a voltagem.

Este procedimento é seguro desde que sejam feitos testes de 5 ou 6 segundos, eliminando assim, riscos de danificar a fonte. É normal na hora do teste sair uma pequena faísca de algum terminal da fonte. A voltagem da fonte para o teste deve ficar entre 9 a 12 volts, para uma leitura exata da amperagem. Com isso você terá a amperagem máxima que sua fonte suporta.

4 - Analisando as bobinas

O sucesso da máquina depende muito da qualidade das bobinas, existem outros aspectos que determinam o bom ou mau funcionamento da máquina, mas as bobinas têm o papel principal no funcionamento.

As bobinas transformam energia elétrica em energia magnética, transformando seu núcleo em imã temporário, por este motivo o batedor é atraído contra os núcleos. Não aprofundaremos no assunto, pois estamos tratando apenas de regulagem e não de montagem e funcionamento.

O fio esmaltado de cobre serve para enrolar as bobinas, determinam a voltagem de trabalho, a amperagem consumida e a força eletromagnética da máquina. Quando as bobinas têm poucas voltas de fio esmaltado, elas tendem a consumir mais amperagem da fonte por gerar menos resistência. Este tipo de bobina tem a vantagem de evitar aquecimento no corpo da máquina, mas por outro lado exige maior capacidade da fonte de alimentação. O diâmetro do fio esmaltado também influência no seu consumo, pois o fio mais grosso gera também pouca resistência, sendo que o fio mais fino gera mais resistência, consumindo menos amperagem.

Quando as bobinas entram em funcionamento elas geram um campo magnético em volta de seus núcleos e gera também um efeito conhecido como (INDUÇÃO) que libera uma faísca no contato do relé que por sua vez fura a mola dianteira rapidamente e descarrega um leve choque no tatuador e no tatuado. Para eliminar este tipo de impacto negativo que as máquinas geram é usado um capacitor eletrolítico que tem a função de eliminar este choque e filtrar a descarga negativa evitando assim um excesso de faísca e impedindo que a mola dianteira seja furada pelo contato do relé.

Na figura abaixo mostramos as ligações entre as bobinas e o capacitor eletrolítico:

Perceba que o capacitor eletrolítico fica ligado em paralelo com as bobinas de indução.

5 - Amperagem das bobinas

Agora iremos fazer dois testes. O primeiro teste identificará qual é a amperagem real que as bobinas consomem e o outro teste detectará qual é a amperagem que as bobinas consomem em funcionamento. Para descobrir a amperagem real consumida pelas bobinas você deve ajustar o multímetro em 10A e colocar o cabo vermelho que acompanha o multímetro em (10A DC 10A Max 10 seg EACH 15 min) e colocar o cabo preto em (com).

Na figura abaixo mostramos a ligação entre a máquina e o multímetro:


É aconselhável que este teste não ultrapasse 15 segundos, pois se sua fonte não suportar a amperagem da máquina ela pode esquentar demais com risco de ser danificada desnecessariamente.

Observe que para fazer o teste a máquina é ligada, mas não pode bater, para isto você deve colocar o dedo no batedor impedindo seu funcionamento. A fonte de alimentação deve ficar entre 9 e 12 volts para uma boa leitura. Realize o teste e veja qual é a amperagem que o multímetro marca.

Agora mantenha o multímetro com os mesmos ajustes que foram usados no teste acima para realizar o próximo teste. O próximo teste detectará qual amperagem as bobinas consomem enquanto estão funcionando. Este teste é que realmente mostra o bom sincronismo entre a máquina e a fonte de alimentação.

Para este teste faça a ligação mostrada na figura abaixo:


6 - Conclusão dos testes

Para concluir os teste vamos dar alguns exemplos de resultados:

1º Vamos supor que sua fonte tenha carga máxima de 1A e que sua máquina em funcionamento consumiu 1A. Neste caso a máquina está consumindo a amperagem máxima da fonte ou a fonte não agüentou fornecer a amperagem que a máquina necessitava para o bom funcionamento, neste caso troque a fonte.
2º Sua fonte tem carga máxima de 1.5A. e sua máquina consumiu 1A. Neste caso a fonte está com carga livre e pode trabalhar perfeitamente com a máquina sem perigo de perda de tensão. A máquina ideal é aquela que consome no máximo de 1A a 1.5A. Caso sua máquina consuma uma amperagem superior a 1.8A, você deve aumentar o avanço do batedor para que ela consuma menos amperagem. A não ser que você tenha uma fonte de alimentação de 3A.

7 - Regulagem do "8"

Você já deve ter ouvido ou visto alguma dica falando do tal "8". Na verdade o 8 não existe é apenas uma ilusão de ótica que mostra o ponto de regulagem padrão das máquinas. A figura abaixo mostra um ponto de regulagem que pode ser usado para pintura ou preenchimento.


Quando você liga a máquina e olha de frente para o batedor, você verá que é formado o número 8 devido a velocidade rápida que o batedor atinge. A regulagem deve ser um 8 quase perfeito apenas um pouco mais esticado. Muitos tatuadores usam regulagem diferente para pintura e para traço. Outros tatuadores usam máquinas com a mesma regulagem e utilizam as mesmas para traço, pintura ou sombra. A única alteração é na voltagem da fonte. Para traçar deixo a máquina mais forte e para sombrear e pintar mantenho a máquina mais fraca, mas sempre com força para perfurar a pele sem dificuldades.

8 - Ajustes da mola traseira

Para mudar a força da máquina para mais ou para menos você pode mudar a pressão da mola traseira, mas esta técnica somente deve ser usada em último caso. Retire o contato do relé e pressione a mola para cima.

Quando soltar o batedor ele deve ficar com o mesmo aspecto da figura abaixo:



Observe que a mola traseira está com muita pressão, isto faz com que a máquina fique (turbinada), ou seja, ela terá uma velocidade muito mais alta do que o normal. O problema de usar a mola desta forma é que o tatuador deve ter muita experiência, pois este tipo de regulagem pode machucar muito o local que está sendo tatuado. Outro ponto negativo para este tipo de regulagem é que a máquina precisará de uma voltagem maior para trabalhar e a mola tende a durar menos tempo quebrando com muita rapidez.

Observe agora a ilustração abaixo e veja que o batedor não fica tão alto como quando o mesmo é solto:



Este tipo de pressão da mola traseira é a mais indicada, pois não força muito a mola e não exige muita voltagem para a máquina trabalhar. Às vezes sua máquina não entra em harmonia, pois precisa de uma pequena mudança de pressão na mola traseira.

Quando comprar uma máquina, procure comprar as molas do mesmo fornecedor, pois elas quase sempre já vêm com a pressão certa e não precisam ser reguladas.

9 - Regulagem do avanço e contato

Verificamos que o exemplo acima deve ser utilizado somente em ultimo caso. Veremos agora os ajustes que podem dar melhores resultados sem termos que alterar a pressão da mola traseira.

A ilustração abaixo mostra onde fica o avanço e o contato do relé:



Para este ajuste mostraremos apenas os dois tipos mais utilizados pelos tatuadores.

Observando o desenho abaixo veremos que o avanço da máquina é grande e que o contato fica na ponta da mola dianteira:



Com esta regulagem teremos os seguintes aspectos:

1. A máquina consumirá menos amperagem e utilizará mais voltagem que é satisfatório.
2. A mola dianteira vibrará de maneira mais uniforme melhorando seu tempo de vida.
3. Quando for tatuar você terá uma visão melhor da agulha saindo da biqueira, com isto você terá melhores condições de trabalho em relação aos detalhes.
4. A máquina ficará com a batida mais suave ideal para traçar mais lentamente, para realizar pintura e para controlar melhor o sombreado.

Observe na ilustração abaixo que agora temos um avanço menor e que o contato se encontra no meio da mola dianteira:



Com este tipo de regulagem teremos então os seguintes aspectos:

1. A máquina usará mais amperagem e menos voltagem que só saberemos se é satisfatório fazendo os teste com a fonte e com a máquina.
2. A mola dianteira baterá de forma menos regular gerando assim mais barulho e conseqüentemente diminuindo seu tempo de vida. Caso goste de trabalhar com o contato neste local é aconselhável comprar uma mola frontal menor e não usar molas compridas neste tipo de regulagem.
3. A máquina ficará com a batida mais potente que resultará na necessidade de melhor experiência para manuseá-la. Este tipo de batida é ideal para contornos mais rápidos e preenchimentos com maior número de agulhas.

Em relação ao som emitido pela máquina, este barulho deve ser uniforme e sem variações como o som de uma cigarra. Para diminuir o barulho natural que a máquina produz deve-se utilizar a borracha (O RING) que é colocada para evitar o excesso de vibração da mola dianteira.

Não desanime achando que sua máquina não presta, todas as máquinas em
quaisquer condições são ajustáveis, dependendo apenas de ajustes corretos.

10 - Teste de Força

O teste de força é indispensável antes do começo uma tattoo para que a mesma tenha um resultado perfeito e sem falhas. Este teste evita traços pontilhados, falhas nos contornos, falhas nas pinturas e aumenta o rendimento do trabalho sem forçar a máquina e nem a fonte.

Na figura abaixo está ilustrado o teste de força:



Para traçar ligue a máquina e pressione o dedo contra o batedor com pressão média. A máquina não deve ficar fraca com a pressão do dedo para que ela realize um traço perfeito e uniforme.

Para pintura e sombreado padrão, faça o mesmo teste com uma pressão menor no batedor, da mesma forma a máquina não deve enfraquecer muito para que a pintura e o sombreado fiquem uniformes. Para um sombreado realista ou muito claro faça o mesmo teste para pintura, mas com a diferença de que quando colocado o dedo no batedor a máquina fique um pouco fraca, este tipo de regulagem permite ao tatuador com menos experiência evitar erros desnecessários dando mais tranqüilidade na hora de tatuar.

7 - Vídeos

Confira abaixo dois vídeos explicativos, em espanhol, onde são demonstradas formas de regulagem de máquina de tattoo.


Obs.: Contamos sempre com a sua contribuição para que estas lições fiquem cada vez mais completas. À todas as informações cedidas, serão atribuídas os devidos créditos.

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Learning Tattoo - Capítulo 2, A Máquina de Tatuagem

Capítulo 2


1 - A Invenção

A máquina de tatuagem não sofreu muitas alterações desde a sua invenção. O inventor de máquina para tatuagem é Samuel O’Reilly (S.F.O. Reilly) que inspirou-se na caneta de autographia, uma máquina de gravura inventada por Thomas Edson em 1876. Edson criou a impressora para gravar superfícies duras. O’ Reilly adaptou a máquina de Edson alterando o sistema de tubo e modificando sua unidade, oscilando electromagneticamente (vai e volta), criando assim, a máquina de tatuagem em 1891. Na imagem a invenção de Thomas Edson adaptada por Samuel O’Reilly.

2 - Máquina de tatuagem moderna

A máquina de tatuagem moderna foi criada por Percy Waters em 1929. Em 1979 Carol Nightingale reinventa a máquina de Percy Waters, desta vez mais potente, robusta e constituída de mais peças, semelhante às máquinas modernas atuais. Estas máquinas utilizam duas bobinas presas a um chassi, recebem a eletrecidade controlada por uma fonte e são acionadas por um pedal. É fundamental que o tatuador domine as técnicas de regulagem da máquina.

3 - Principais componentes da máquina de tatuagem

Bobinas ou Coils
Presa ao chassi da máquina encontra-se um par de bobinas. As bobinas constituem de fio de cobre enrolado em seu interior. São responsáveis pelo movimento de vai-e-vem da haste. Trata-se de um circuito formado por fios, ligados a uma corrente elétrica, gerando um campo eletromagnético, descrito como comportamento indutor. As bobinas são os componentes principais dos sistemas magnéticos e elétricos da máquina de tattoo. As bobinas em uma máquina são como eletroímãs. Quando a máquina está em funcionamento, o magnetismo criado pelas bobinas puxa a barra da armadura para baixo. Uma vez o magnetismo no sistema dissipa-se, a barra da armadura libera-se e move-se para cima. Este movimento para cima e para baixo, em alta velocidade, da barra ligada a agulha, proporciona a penetração da agulha na pele.

Chassi ou Frames
Conhecido como corpo da máquina, o chassi prende todos os componentes da máquina. Pode ser fabricado em diversos tamanhos, modelos, temas e materiais. Em inglês é chamado de frames. Além dos componentes elétricos são presos ao chassi a biqueira (ou bicos) e o clip-cord. Encontram-se no mercado, chassis em seu estado bruto para customização.

Capacitores ou Capacitors
O capacitor ou condensador armazena energia num campo elétrico, acumulando um desequilíbrio interno de carga elétrica. O capacitor fica localizado junto às bobinas e preso ao chassi. O capacitor é muito importante, ele é responsável por reduzir a faísca no ponto de contato. A escolha do capacitor para sua máquina vai depender de como você vai utilizá-la. Os capacitores com avaliações menores do Farad (capacitância) resultarão em velocidades mais rápidas da máquina. Os capacitores com avaliações maiores do Farad farão a máquina funcionar mais lentamente. A regra geral é: capacitores menores para traços, capacitores maiores para da coloração da tatuagem. Portanto, convém que o tatuador tenha ao menos uma máquina para traçar a tatuagem e uma para colorir-la.

Molas ou Springs
As molas são os componentes os mais importantes em uma máquina do tatuagem. Conhecidas também como Spring, as molas afetam quanta tensão uma máquina requer, a velocidade de funcionamento, e o comprimento do curso. Aço lustrado e aço moderado são boas escolhas de material para fabricação de molas para máquinas de tattoo. Ambos dispõe de dureza e resistência elevada, evitando a fadiga da máquina.

Binding Post
As máquinas de tatuagem têm dois pontos de conexão obrigatórios; ambos agem como pontos de conexão para os componentes elétricos da máquina. O ponto de conexão superior fica preso ao chassi e ativa o ponto de contato da máquina. O ponto de conexão traseira é o conector positivo para o clipcord.

Barras ou Armature Bars
As barras sustentam as hastes e são presas às molas. Graças ao contato da mola e o movimento proporcionado pelas bobinas, as barras impulsionam a haste para frente e para trás. Presas à haste, estão as agulhas. As barras são disponíveis em tamanhos e pesos diferentes, porém o seu formato retangular, geralmente não varia.

Porcas e arruelas ou Screw & Washers
As porcas, parafusos e arruelas, prendem as peças à máquina de tatuar e permitem a circulação de corrente elétrica pela mesma. Cada componente em uma máquina de tattoo é unido por um parafuso. As máquinas e os componentes americanos usam os parafusos #8-32 imperiais.

Na imagem abaixo, podemos observar todas as peças da máquina de tattoo, inclusive as que não foram citadas acima, como: Contact Screw, Front Binding Post, Front Spring, Tube Clamp, Yoke, Rear Binding Post e O-Ring.




4 - Divisões dos Sistemas da Máquina

Sistema Mecânico
- Molas ou Springs
- Barras ou Armature Bar
- Chassi ou Machine Frame

Sistema Magnético
- Bobinas ou Coil
- Garfo ou base do chassi, yoke or base of the frame
- Base das bobinas ou Coil Shims
- Chassi ou Armature Bar

Sistema Elétrico
- Enrolamentos da Bobina ou Coil Windings
- O capacitor ou the capacitor
- Porcas, arruelas e pontos de contato ou Screw & Washers
- A mola ou the Spring

5 - Circulação de Energia na Máquina

Acompanhe pela imagem abaixo, o caminho percorrido pela corrente elétrica na máquina de tatuagem, desde a entrada da energia transmitida pelo clipcord às bobinas e ponto de contato.

A energia regulada pela Fonte é transmitida à Máquina através do Clipcord (1.). A energia é distribuída entre o Ponto de contato (E.) e as Bobinas (B.). O movimento de vai-e-vem (5.) produzido pelas Bobinas e o Ponto de Contato, fazem com que a Barra (C) presa pela parte de trás da Mola (D) empurre a Haste (4.) para frente e para trás. A Haste passa por dentro da biqueira (G) e suportam as agulhas. As biqueiras por sua vez, são presas ao Chassi (A).
Obs.:
Mais à frente, abordaremos a regulagem da máquina de tattoo, conhecimento indispensável à todos os tatuadores.

6 - Máquina Rotary

As máquinas tipo Rotary são cada vez mais populares e utilizadas pelos tatuadores. As máquinas são fabricadas com motores de alta rotação. Na em todo mundo, sobretudo na Europa, estas máquinas são cada vez mais aceitas por serem silenciosas, leves e potentes. A fabricação das máquinas Rotary iniciou-se na Suiça e hoje é amplamente utilizada na prática da Maquiagem Definitiva.



7 - Vídeos

Abaixo seguem dois vídeos explicativos (espanhol) que ilustram bem o funcionamento da máquina de tatuagem profissional.




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